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80 anos de Geraldo Vandré: uma história cheia de mistérios

DA REDE BRASIL ATUAL

Franklin da Flauta/Arquivo Pessoal

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“Minha história é secundária”, disse em maio um incomodado Geraldo Vandré ao repórter Julio Maria, do jornal O Estado de S. Paulo, ao responder se o público não mereceria conhecer sua trajetória artística. Era um comentário sobre biografia não autorizada lançada um mês antes. Neste setembro, quando Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (seu nome de batismo) completa 80 anos, serão lançados dois livros a seu respeito, de certa forma contestando a afirmação sobre a obra de sua criação.

Corte para a noite de 15 de agosto de 2014, no terminal rodoviário do Tietê, na zona norte de São Paulo. Em um espaço do maior terminal da América do Sul, fica um piano. Um anônimo senta, começa a tocar e logo junta uma pequena multidão em volta. Os acordes são reconhecidos de imediato. A letra é longa, mas alguns arriscam-se a cantar, conforme registro feito por um ouvinte que passava por ali. No final, o intérprete ganha aplausos.

Em outra escala, a cena se repete em 20 de junho último, na praça da República, centro paulistano, na abertura da Virada Cultural. O maestro Rui Torneze, da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, anuncia o bis, para “cutucar o coração”. É a mesma composição tocada pelo pianista desconhecido, agora executada por dezenas de violas – instrumento para a qual a música foi concebida – e aplaudida com emoção ao final.

A música é Disparada, parceria de Vandré com o violonista Theo de Barros, nascida durante uma viagem a Catanduva, no interior paulista, em 1966. “Ele pegou a música caipira, juntou Guimarães Rosa e fez uma coisa completamente nova. Como obra de arte, Disparada talvez seja a música mais perfeita que o Brasil já produziu”, declarou, em depoimento, o jornalista e pesquisador Alberto Helena Jr., um dos primeiros a ouvir a canção.

Foi o primeiro e único caso de empate na chamada era dos festivais. Naquele 1966, Disparada e A Banda, de Chico Buarque, foram declaradas vencedoras no concurso da TV Record. Na verdade, A Banda havia vencido, mas o próprio Chico exigiu o empate, por considerar – até hoje – que Disparada era melhor. A canção foi defendida por Jair Rodrigues, em interpretação épica, mas que antes de acontecer foi vista com certa desconfiança por Vandré, por considerar Jair muito brincalhão. O primeiro encontro entre eles foi ríspido, mas depois de vê-lo cantando o autor deu um abraço de “quebrar ossos” no intérprete.

ARQUIVO/AGÊNCIA ESTADO
Jair Rodrigues
Jair Rodrigues interpreta a música Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros

Matraga

O ano de 1966 foi especial para Vandré. Ele venceu também o festival da TV Excelsior, com Porta Estandarte, parceria com Fernando Lona, que, vindo da Bahia, finalmente pôde com o prêmio alugar um apartamento. Além disso, o compositor foi responsável pela trilha sonora de A Hora e Vez de Augusto Matraga, filme de Roberto Santos com base em conto de Guimarães Rosa e representante do Brasil no festival de Cannes.

Pouca coisa se sabe efetivamente sobre a obra de Geraldo Vandré. Sua carreira de músico profissional foi relativamente curta e prejudicada por um certo folclore alimentado pelo silêncio. São apenas cinco LPs lançados, de 1964 a 1973, data de seu retorno ao Brasil, após quatro anos e cinco meses de andanças pelo exterior, em uma saída forçada pela repercussão de sua música mais conhecida, Pra não Dizer que não Falei das ­Flores (Caminhando), de 1968. A partir daí, prevaleceram as lendas. Para usar uma expressão do escritor Eric Nepomuceno, em artigo recente no jornal Valor Econômico, o artista “alcançou píncaros de luz para depois mergulhar numa névoa densa, carregada de perguntas sem resposta e mistérios sem solução”.

As perguntas mais recorrentes são se Vandré foi mesmo torturado, se enlouqueceu. Ou por que motivo nunca mais se apresentou no Brasil – seu último show foi do lado paraguaio da fronteira, em 1982. A alguns artistas, como Jair Rodrigues e Ney Matogrosso, chegou a falar em fazer apresentações “nas fronteiras”, que nunca aconteceram.

FILME DE 1965. DIREÇÃO: ROBERTO SANTOS
Matraga filme
Leonardo Villar em cena de Matraga

Vandré estava no radar do regime, mas tortura física nunca houve. Talvez algo mais grave tivesse acontecido se ficasse no Brasil. Depois da decretação do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, ele permaneceu escondido – na casa de praia do pai de sua namorada, no litoral sul paulista, e depois no apartamento de dona Aracy, viúva de Guimarães Rosa, no Rio de Janeiro, perto do Forte de Copacabana. Os soldados faziam manobras e Vandré, versos.

Durante o carnaval de 1969, ele deixou o país disfarçado em direção ao Uruguai, e de lá para o Chile. Partiu para a Europa, andou pelo Velho Continente, fixou-se na França e, por fim, voltou ao Chile, de onde saiu dois meses antes do golpe que em setembro de 1973 derrubou Salvador Allende e iniciou um período de terror.

ACERVO ICONOGRAPHIA
BOMBA NO TEATRO
Grupos anticomunistas atacaram local onde Vandré se apresentava em 1968

Alvo militar

Artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque dizem que naquela época era possível perceber nos interrogatórios certa “prioridade” dos militares em relação a Vandré. Alguns falavam mesmo em matá-lo, segundo o compositor baiano. Famoso produtor de festivais, Solano Ribeiro acredita que ele poderia ser morto se fosse preso no pós AI-5. Por ironia, seu último show no Brasil como cantor profissional foi justamente em 13 de dezembro, data do ato institucional, em Anápolis (GO).

O motivo de tanta raiva seriam alguns versos de Caminhando, que teriam sido especificamente destinados aos militares, em um período que culminaria no período mais violento da ditadura. A canção carimbou em Vandré o rótulo de “cantor de protesto” ou antimilitarista. Mais de uma vez ele tentou explicar que a música não era contra as Forças Armadas, mas contra uma situação política, um momento da história brasileira. “Caminhando não é uma canção de guerra e os versos ‘nos quartéis se aprende a morrer pela pátria e viver sem razão’ não se refere somente a militares, mas é um modo de me exprimir para explicar todo tipo de profissão que restringe as pessoas a um certo modo de vida. Aliás, muitos militares concordaram com os versos”, disse Vandré em uma entrevista coletiva, no meio da polêmica, em 1968.

Muitos não gostaram: no teatro Opinião, no Rio, onde se ele apresentava com o Quarteto Livre no show Pra não Dizer que não Falei das Flores, houve um atentado a bomba, que não deixou feridos. Os músicos haviam saído pouco antes para comer uma pizza. Na mesma época, ele declarou ao repórter Arthur Poerner, no Jornal do Brasil, um dos que o ajudaram a deixar o país: “A música é, portanto, uma mensagem, uma informação, não um conselho. Mesmo porque o povo não precisa de conselhos”. O refrão é uma necessidade da canção, disse Vandré, criticando quem tentava dissecar a sua como se fosse um comício, ou um tratado de sociologia.

Em 2007, à então estudante de Jornalismo Jeane Vidal, o autor chamaria sua obra mais famosa de expiação. “Mais do que uma canção, Caminhando foi um desnudamento. Um dizer-se tudo quando era proibido dizer-se quase tudo. Sem ofensas e sem reivindicações. Um relato indeclinável para todos nós, brasileiros, que ali nos reunimos num concurso de arte, sem paradigma e sem igual, até hoje, para mim.”

ARQUIVO/AGÊNCIA ESTADO
GINÁSIO LOTADO
Pra não Dizer que não Falei das Flores marcou carreira do cantor

O concurso a que Vandré se refere foi o Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo. Um representante do Brasil seria escolhido previamente para a fase internacional. Ganhou Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque. Uma música delicada, que tratava do exílio, mas de forma sutil. O público queria a canção explícita de Vandré e vaiou longamente a decisão dos jurados. Não era exatamente para Tom, mas ficou marcada como a maior vaia que o compositor recebeu.

Burguês da canção

O médico otorrino José Vandregíselo (do qual se origina o nome artístico) foi ligado ao Partido Comunista, mas seu filho Geraldo nunca foi militante político. O compositor chegou a se definir como um “profissional burguês da canção”. Vindo da Bossa Nova, como tantos, ele criou uma obra original, de nítida preocupação social, a partir da primeira música de seu primeiro LP, Menino das Laranjas (do futuro parceiro Theo de Barros), canção que se tornaria sucesso inicial de Elis Regina. Vandré começou a chamar a atenção depois da gravação de Samba em Prelúdio, em 1962, com a cantora Ana Lúcia – melodia de Baden Powell, letra de Vinícius de Moraes.

Paraibano de João Pessoa, formado em Direito no Rio de Janeiro e com a carreira musical desenvolvida em São Paulo, ele não foi Bossa Nova – embora tenha bebido dessa fonte, em parceria com autores como Carlos Lyra –, nem cantor de protesto. Brigou com os tropicalistas e com a TV Record (na qual apresentava um programa) e se definiu como nacionalista. Seu temperamento forte e o comportamento por vezes imprevisível certamente contribuíram para os boatos sobre loucura.

Ele acabou perseguido por causa de uma canção composta durante a Marcha dos 100 Mil, realizada em junho de 1968, em protesto contra a violência do regime. Deixou sua pátria e retornou em julho de 1973 após difíceis negociações com o governo – ainda no Chile, chegou a ser internado para tratamentos psiquiátricos. Uma condição para a permanência no Brasil foi uma falsa entrevista, forjada pelos militares e exibida no Jornal Nacional, da Globo, um mês depois da real data de seu retorno. Ali, Vandré renegou qualquer uso político de sua obra. Foi uma espécie de retratação, como se dizia na época.

O silêncio foi imposto e também assumido. Vandré deu entrevista em 1974 para o programa de estreia de Flávio Cavalcanti, mas o censor viu “apologia” à figura do artista e vetou o quadro. O Brasil também era outro. Tinha mudado durante os anos de exílio, com a massificação da cultura. Além disso, o ex-servidor público, exonerado por decreto fundamentado no AI-5, não gostou de ser reconduzido ao funcionalismo com base na Lei da Anistia, “como se eu fosse criminoso”, conforme disse em 2010 ao jornalista Geneton Moraes Neto, da GloboNews, em entrevista gravada no dia em que completava 75 anos (12 de setembro).

Vandré também reclamou da falta de imagens do FIC de 1968 e chegou a pedir a Geneton que falasse com seus chefes. A Globo diz ter apenas alguns takes da fase internacional. Da mesma forma, não há registro do Jornal Nacional de agosto de 1973 com a entrevista sobre a “volta” do cantor, nem imagens de sua participação no festival da Record em 1967. Para a pesquisadora Dalva Silveira, autora do livro A Vida não se Resume em Festivais, houve uma tentativa do governo autoritário de “apagar Vandré e sua obra da memória coletiva nacional”, à medida que a imprensa não podia fazer referência ao seu nome, nem ele podia se apresentar.

Lendas

Mas o compositor faz também sua crítica à sociedade que, de alguma forma, deu as costas quando ele retornou, doente e fragilizado, e que talvez o preferisse como mártir. E ajudou a alimentar a polêmica ao escrever, em 1985, um poema em homenagem à Força Aérea Brasileira, chamado Fabiana. Menos conhecida, Marina Marinheira fez referência a outra das forças armadas, e foi interpretada em show por Ney Matogrosso, em 1980 –Vandré não deixou que ele gravasse.

Um livro pode fazer com que as lendas fiquem em segundo plano e as canções tenham mais destaque, como se deveria esperar de um artista. Além das duas mais conhecidas, Vandré é autor de composições como Canção Nordestina, Pequeno Concerto que ficou Canção, Tristeza de Amar, Aroeira, Cantiga Brava, Maria Memória da Minha Canção, João e Maria, Fica Mal com Deus, De América e Desacordonar, feita no período do Chile, quando o artista percorreu o país para conhecer a experiência de reforma agrária. Ou Pátria Amada, Idolatrada, Salve, Salve, composta com Manduka, filho do poeta Thiago de Mello, e vencedora do festival de Agua Dulce, realizado no Peru em 1972.

Vandré também foi o primeiro a defender uma música de Chico Buarque em um festival (Sonho de um Carnaval, na extinta TV Excelsior, em 1965). E ajudou a revelar músicos até hoje admirados, inclusive internacionalmente. Theo de Barros, Heraldo do Monte, Airto Moreira e Hermeto Pascoal formavam o Quarteto Novo. Behring, Hilton Acioli e Marconi eram o Trio Marayá. O último grupo a acompanhar o cantor foi o Quarteto Livre, com Nelson Ângelo, Franklin da Flauta, Geraldo ­Azevedo e Naná Vasconcelos.

Assim, há muito o que se explorar e descobrir no universo musical criado por Vandré. Sem se preocupar tanto com o festival que representou seu auge e o fim, ao mesmo tempo. Até hoje fala-se em uma possível pressão militar para que Caminhando não ganhasse em 1968. Algo desnecessário para demonstrar a importância do artista na música brasileira, como observou, em entrevista, Leon Cakoff, famoso pela criação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – e que em 1968, aos 20 anos, bancava os estudos com o trabalho de assistente de Vandré. Com uma comparação cinematográfica, ele mostra que nem sempre é preciso ganhar para ser eterno.

“A história reserva às peças desse tabuleiro as suas posições corretas, não adianta você mexer. Tanto filme ganha Festival de Cannes e cai no esquecimento em seguida… E tantos filmes que não ganham prêmio nenhum e ficam eternos na memória de todos os cinéfilos”, disse Leon em 2009. “Foi uma radiografia do momento, de uma época. Qual a foto deste momento que a gente está vivendo hoje? O que traduz este momento? Naquele momento, traduzimos com Caminhando.”

E há muitas traduções possíveis. Anos atrás, Vandré usou a mesma palavra dita recentemente ao repórter do Estadão para expor o que pensa sobre a sociedade: para ela, a beleza tem função “secundária” – e quem a procura, também. Mas ele mesmo concluía que sem beleza não existe “o homem feliz”. Em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, onde tem vivido nos últimos tempos e onde sua mãe morava (dona Marta morreu em 2011; “seu”José, em 1986), possivelmente é disso que ele se ocupa, fazendo canções e versos em silêncio.

Biografia é história

O repórter Vitor Nuzzi lançou em abril o livro Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida, de forma independente e com tiragem limitada (100 exemplares). Primeira biografia do compositor, à qual o autor se dedicou por quase uma década, o livro está prestes a ser relançado, agora pela editora Kuarup.

Em 10 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou uma ação direta de inconstitucionalidade e pôs fim a uma espera de três anos, ao decidir que a publicação de biografias não exige autorização prévia. Todos os ministros acompanharam o voto da relatora, Cármen Lúcia. “Não é proibindo, recolhendo obras ou impedindo sua circulação, calando-se a palavra e amordaçando a história que se consegue cumprir a Constituição”, afirmou a juíza, acrescentando que cabe à Justiça reparar eventuais abusos.

“O mais é censura, e censura é uma forma de cala-boca.”

A polêmica é antiga, mas ganhou força em 2007, quando Roberto Carlos foi à Justiça para recolher livro escrito pelo biógrafo e professor Paulo Cesar de Araújo. A editora retirou o livro de circulação. Araújo promete relançá-lo, e até já assinou contrato com uma editora. Biografias são livros de história, e ninguém é dono da história, diz o escritor (leia entrevista publicada na edição 95).

O escritor Jorge Fernando dos Santos também lança uma biografia em setembro: Geraldo Vandré – O Homem que disse Não, pela Geração Editorial. No início de outubro, sai Não me chamem Vandré (editora Patmos), do jornalista paraibano Gilvan de Brito.

Corte-poético

*ao amor, com amor.

Incrível como as pessoas tornam-se escravas de seus afetos. Dia desses apaixonei-me por uma mulher, perdidamente, a ponto de fantasiar coisas estranhas sobre meu futuro, algo do tipo abrir mão de tudo que consegui construir até hoje para ficar ao lado dessa pessoa. Havia, entretanto, obstáculos, muitos por sinal. A maioria deles fantasiosos, claro, e acho que um deles foi o singelo motivo de ela ser uma puta. Sim, uma puta… garota de programa, profissional do sexo. Enfim, os termos variam de acordo com o grau de neurose alheia. Estranho ouvir isso, especialmente porque somos constantemente condicionados a fragmentar sexo de amor, como se quando praticássemos o coito nosso corpo parasse de produzir afetos que aumentem nossa potência de exitir. Partindo desse ponto de vista, questiono-me se humanidade foi mumificada, sabem? Os corpos se mantêm, mas o movimento, a força, o fluxo, perderam-se no caos que é a incerteza, e, como no antigo Egito, temos a fé de que tudo isso se sustenta apenas utilizando essa técnica. Ledo engano. Conheço, e talvez até desconheça, muitas pessoas que apenas sobrevivem, corpos sem força, movimentos sem sensibilidade, devires impedidos de se lançarem para algum lugar que não sabemos o que é nem o que nos espara lá. Mas aí que está a des(razão). Ali, extamente naquele buraco, que ao mesmo tempo nos amedronta e pelo qual nos deixamos sempre seduzir, talvez esteja o que nos faz vibrar. Uma falta. Um ponto. O desejo. Mesmo nesse eterno vazio preenchido (paradoxal, como a vida costuma ser) que é a existência, ainda precisamos encontrar um lugar no qual algo de/em nós se faça pulsar. Alegro-me, neste caso, em intuir o que o filósofo da vida Nietzsche prospos – amor fati, ou seja, a vida como um grande sim. Devaneando sobre isso, pergunto-me, sempre quando posso, se quero viver esse momento, mesmo ele se repetindo eternamente. Normalmente bato com a fuça na parede, mas continuo tentando. Sim, mas e a puta? Você deve está pensando. Escrevi sobre isso porque sempre que comento minha paixão por ela, além do choque que causo nas pessoas, a maioria delas, movidas por uma ideologia pervesa, cujo recorte (tal qual nos mostra a psicanálise) no corpo do outro traz como contrapartida a cegueira opressora/dominadora, não entende que, da mesma forma que a cientista usa seu cérebro ou a poetisa utiliza seu coração, a garota de programa usa seu corpo (sim, todo ele!) para produzir afetos, conceitos e percepções. Filósofa, poetisa, cientista. Ela costuma ser tudo isso. Vou seguir, por isso, o conselho do filósofo da vida, e continuar amando, loucamente, essa mulher. E se os ressentidos chegarem com um grande porquê, simplesmente direi: Por que não poderia ser outra forma.

(Oluap Sellet)

A irresponsabilidade política, o desejo egoísta de lucrar e a falta d’água no bairro João Paulo II

O tempo passa e a prefeitura, responsável por fiscalizar a empresa distribuidora de água em Manaus, não toma nenhuma providência em relação à falta d’água no bairro João Paulo II. O triste prefeito Artur Neto, em mais um ato de egoísmo e descompromisso, nem sequer apareceu para dar qualquer tipo de satisfação para os moradores do bairro.

Os carros-pipa, de acordo com moradores do bairro, que deveriam levar água minimamente limpa para as pessoas, abastecem as casas com uma água tão suja quanto as atitudes da empresa Manaus Ambiental. Alguns tanques, nos quais se reservam a água, mais parecem reservatórios de barro e lama.

Outo acontecimento corrupto é a cobrança de água por parte de alguns carros-pipa. Muitos moradores do bairro afirmam que precisam pagar pela água de que têm direito. Preços absurdos são cobrados, algo em torno de R$ 80 reais por dia para poder suprir suas necessidades básicas, ou seja, tomar banho, escovar os dentes, lavar roupas, cozinhar os alimentos. Além disso, algumas casas marcadas recebem a água limpa e de graça.

Algumas pessoas, quando tentam ligar para a empresa, recebem a covarde resposta de falar com o líder comunitário do João Paulo II. Outro grande problema, afinal tal sujeito é praticamente um fantasma. Sua ignorância reflete na pouca potência com que age como voz na comunidade. Por fim, o tal de Tabajara, acaba apenas sendo uma marionete daqueles que governam apenas para si mesmos.

A causa de todo esse transtorno foi um acidente na Estação de Tratamento de Água (ETA) Ponta dos Lages, do Programa Água Manaus, no Distrito Industrial. A estação, monitorada pela Manaus Ambiental desde que passou a administrar a distribuição de água na cidade, em 2012, abastece grande parte das zonas norte e leste de Manaus. Infelizmente para a população, esta empresa, cuja intenção é apenas lucrar (in)sanamente, vai continuar à frente disto pelos próximos trinta anos.

Piscadelá: Raymond Depardon e o lugar onde a loucura adoece

“Queridos, acho que não tem sido fácil, mas agora entendo que não somos e nunca seremos iguais. Eu não sou igual a você que fode para ser aprovada e poderia muito bem parar de colocar paus dentro de você. Eu não sou igual a você. Tudo o que você quer é ser preenchida, e, quer seja por um homem ou por toneladas de alimentos nojentos, não faz diferença… E definitivamente eu não sou igual a você. Essa empatia que você clama é uma mentira porque tudo o que você é, é a vigília da moralidade da sociedade, cujo dever é apagar minha obscenidade da superfície da Terra, para que a burguesia não se sinta doente.” (Joe)2_170614_1403010031_4911_170614_1403005654_21 16_170614_1403005593_187_170614_1403009355_39 Untitled 5_170614_1403009994_22

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