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Dia de luta para professores, técnicos federais e vigilantes

20150828_081910A sexta-feira (31) representou na cidade de Manaus um marco da  constante luta dos movimentos para ter sua força de trabalho respeitada e valorizada contra os abusos impostos pelo mercado de trabalho globalizado. Assim os trabalhadores mais do que mostrar suas exigências vão as ruas organizados para lutar por aquilo que é insustentável

A classe dos vigilantes do estado do Amazonas se posicionaram em frente a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do MTE para exigir da Justiça trabalhista que altere a Classificação Brasileira de Ocupações, que trata vigilante e agente de portaria de forma semelhante, o que causa danos a categoria pois os vigilantes estão perdendo empregos para os agentes que recebem menores salários fazendo a mesma função sem portar arma para sua defesa.

20150828_08193320150828_081942Outro ponto que a classe questiona é o fato do governador do Amazonas, José Mello vir substituindo vigilantes por agentes de portaria para fazer a vigilância dos prédios públicos, como escolas, hospitais, secretarias etc.

Não bastasse as perdas, a maioria dos vigilantes são trabalhadores ainda são trabalhadores tercerizados sendo explorados com jornadas de 12 por 36, trabalhando em diversos locais na mesma semana e ainda por cima não tendo seus direitos trabalhistas assegurados. Realidade dura de praticamente todo trabalhador terceirizado, mas que está sendo questionada pela classe.

20150828_090129Outras categorias de trabalhadores que se manifestaram em um ato unificado foram os técnicos federais de educação da UFAM (através do sindicato SINTESAM), professores da UFAM (junto a ADUA) e os servidores federais de educação técnica e científica (SINASEFE). As três categorias estão em greve há mais de três meses em denúncia aos problemas gerenciais e aos cortes da educação federal.

No caso dos professores e servidores da Ufam o ato em frente ao Ministério Público foi para entregar um documento denunciando a reitora da instituição, Marcia Perales, por uma série de abusos administrativos, dentre eles a delação de técnicos em greve a justiça; criação de um caos dentro da universidade ao instaurar dois calendários prejudicando o andamento administrativo da universidade;  não defesa da autonomia universitária; descumprimento do regimento da instituição e dos conselhos.

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Percebe-se que o movimento grevista tanto na UFAM quanto no IFAM vem sofrendo pelos problemas das verbas bilionárias que foram cortadas das instituições o que ocasiona perda de bolsas estudantis, projetos já estabelecidos, diárias, pesquisas entre vários outros fatores. Soma-se isto ao processo de terceirização que desde o fim da década de 90 assola as universidades brasileiras.

Os questionamentos dos professores é a visível má administração da instituição que há décadas passa por sérias questões e que se intensificou na gestão Perales como corrupção (no caso da UNISOL por exemplo), devolução de verbas já liberadas pelo governo federal , novas terceirização (caso da agencia de viagens OCA), má distribuição das vagas de professores dentre as unidades entre outras.

A greve das federais que já chegou em seus 3 meses e que conta com quase 50 universidades em greve. A luta promete continuar com os professores

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Foto: Katia Vallina/Adua

Foto: Katia Vallina/ADUA

Foto: Katia Vallina/Adua

Foto: Katia Vallina/ADUA

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Instituto Ganga Zumba produz o novo Bloco Afro

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O Instituto Ganga Zumba, dos engajados Maick, Luis etc, com apoio do DCE UEA, a mídia colaborativa do Coletivo Difusão, a Federação de Umbanda e Cultos Afro Religiosos do Estado do Amazonas (FUCABEAM), UNEGRO, e muitos outros que uniram forças realizou no último domingo a segunda edição do Bloco Afro Ganga Zumba que neste ano trouxe uma muitas novidades.

A festa ocorreu no espaço sempre aberto a comunidade: o Terreiro da Nochê Emília, a querida Mãe Emília,  localizado na Rua Pintassilgo, nº 100 – Cidade Nova II. Além da programação artística esta edição contou com uma deliciosa feijoada preparada pelas filhas de santo de Mãe Emília que deu sustância para as mais de 10 horas ininterruptas de Bloco Afro.

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DSC03573Sem títuloE como a presença negra é sempre produtiva e política durante o evento foram coletado votos para que seja aprovada a PL 4471 que acaba como o “autos de resistência” criando penas maiores para abuso de policiais militares, pela regulamentação das mídias, reforma política e outro pela soberania da Venezuela.

Outra novidade importante foi o “Circuito Mulheres em Diálogos – Reflexões sobre Política, Mídia e Cultura” que pretendeu trazer um debate sobre as produções femininas (e feministas) dentro da sociedade. O evento foi transmitido ao vivo pela Pós TV Norte e dividido em parte 1 e parte 2 podendo ser visto nos links anteriores.  Dentre os participantes  que podemos ver na foto acima (da direita para a esquerda estão:  Lucia Antony (UBM- União Brasileira de mulheres), Anne Jezini (Cantora e agente do Pirão-AM), Elisa Maia ( Coletivo Difusão), Patricia Sampaio (Profª UFAM), Diana Brasilis (Estudante de Filosofia, militante e mulher Trans), Dirce Quintino (Blog Gordice), Elizangela Almeida (UNEGRO), Cida Ari-poria (Coletivo MARIAM) e Maurília Gomes (Formada em relações públicas e mediadora do debate).

DSC03577 DSC03597DSC03577Vários pontos foram tocados durante o encontro como empoderamento da mulher na política, democratização da mídia, e a imagem da mulher na mídia. Foram ainda tratados os preconceitos contra as mulheres e transexuais presentes no discurso machista, os avanços nas políticas públicas federais voltada as mulheres e a população negra e minoritária, o papel da universidade na formação de uma criticidade entre outros.

A festa contou com muito trabalho educativo, cultural e claro musical. Isto pois o Bloco também veio a multiplicar o movimento cultural da cidade ao se integrar ao Grito Rock 2015, um evento feito por produtores independentes que visa ampliar a cultura para todos os cantos de Manaus (incluindo os bairros periféricos que são propositalmente relegados pelos des-governos dos prefeitos e governadores).

Por isto, desde o início diversas atrações musicais passaram pelo palco deste Bloco mostrando os diversos estilos engendrados pela música brasileira feita na mistura das três raças, mas com forte influência afro.

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DSC03583Trazendo a todo momento a presença do importante DJ Negro Lamar, o som foi animado pelo pagode do Poder da Criação que apresentou grandes clássicos do samba com a participação do grande Luis do Instituto Ganga Zumba no vocal, que mostrou que além de um ser tocador de tambor que não tem tamanho é um cantor de samba dos melhores.

Os cantos foram se entoando e formando uma série denominada “Cantos Negreiros” que durou toda a tarde e durou toda noite envolvendo uma série de outras atividades que animaram a galera.

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DSC03583Entremeando estas atividades musicais, houve a marcante presença do mestre KK Bonates que junto com o Grupo de Capoeira Matumbé que trouxe um pouco da dançaluta da capoeira africana que animou a todos com seus cantos.

Porém mais do que a tradição dos cantos da capoiera, o mestre KK Bonates contou um pouco da história da capoeira passando pela de Besouro, e os grandes mestres Pastinha e Bimba e do próprio grupo Matumbé. O contexto da resistência do negro continua atual, na luta cotidiana pela sobrevivência da sua cultura e contra o processo de exclusão racial presente em uma sociedade racista.

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Logo formou-se o terreiro do fundo de quintal para preparar para o samba onde Julio Sorriso puxou a festa colocando todo mundo na roda de samba que começou com palma de mão e logo envolveu a todos em um legítimo sambão, samba povo, samba novo, samba chão como canta a belissima Beth  Carvallho.

E no embalo do samba todos foram entrando na roda que foi ficando animada e cheia de partideiros que respondiam como coro a voz principal. E na dança do samba chão a ginga e as saias rodadas coloriam ainda mais a festa.

E quem achava que a animação iria terminar alí mal poderia esperar pelas outras atrações que estavam por vir.DSC03721DSC03755

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E aos poucos a roda era completada com alguns balalorixás que eram convidados para também mostrar seu gingado como o Pai Gilmar. Da capoeira pro samba, e do samba direto para a percussão nas aulas do grande Sorriso.

Ao cair da noite o bloco continuou unido em suas crenças e no caloramor que rolou na festa. E logo foi a vez de subir ao palco Antônio Bahia, James Rios e Márcia Siqueira.

Márcia Siqueira

antonio bahia cantorE assim o segundo Bloco Afro do Instituto Ganga Zumba trouxe muita animação, paz e axé para todos que estiveram presentes e ainda por cima diversificou a programação do Grito Rock deste ano.

E por falar em Grito Rock não esqueçam que ainda estão rolando atividades e o Grito termina amanhã a tarde (sábado, 4) com um grande evento próximo ao Arar do Multirão com muito hip-hop, djs e mcs, rappers, grafiteiros de responsa, movimento feminista e muito mais…

A irresponsabilidade política, o desejo egoísta de lucrar e a falta d’água no bairro João Paulo II

O tempo passa e a prefeitura, responsável por fiscalizar a empresa distribuidora de água em Manaus, não toma nenhuma providência em relação à falta d’água no bairro João Paulo II. O triste prefeito Artur Neto, em mais um ato de egoísmo e descompromisso, nem sequer apareceu para dar qualquer tipo de satisfação para os moradores do bairro.

Os carros-pipa, de acordo com moradores do bairro, que deveriam levar água minimamente limpa para as pessoas, abastecem as casas com uma água tão suja quanto as atitudes da empresa Manaus Ambiental. Alguns tanques, nos quais se reservam a água, mais parecem reservatórios de barro e lama.

Outo acontecimento corrupto é a cobrança de água por parte de alguns carros-pipa. Muitos moradores do bairro afirmam que precisam pagar pela água de que têm direito. Preços absurdos são cobrados, algo em torno de R$ 80 reais por dia para poder suprir suas necessidades básicas, ou seja, tomar banho, escovar os dentes, lavar roupas, cozinhar os alimentos. Além disso, algumas casas marcadas recebem a água limpa e de graça.

Algumas pessoas, quando tentam ligar para a empresa, recebem a covarde resposta de falar com o líder comunitário do João Paulo II. Outro grande problema, afinal tal sujeito é praticamente um fantasma. Sua ignorância reflete na pouca potência com que age como voz na comunidade. Por fim, o tal de Tabajara, acaba apenas sendo uma marionete daqueles que governam apenas para si mesmos.

A causa de todo esse transtorno foi um acidente na Estação de Tratamento de Água (ETA) Ponta dos Lages, do Programa Água Manaus, no Distrito Industrial. A estação, monitorada pela Manaus Ambiental desde que passou a administrar a distribuição de água na cidade, em 2012, abastece grande parte das zonas norte e leste de Manaus. Infelizmente para a população, esta empresa, cuja intenção é apenas lucrar (in)sanamente, vai continuar à frente disto pelos próximos trinta anos.