Arquivo da categoria: Cinema

L’art de Chantal Akerman

O sorriso eterno como imagem de quem ama a vida: Manoel de Oliveira

Manoel de oliveira

O homem que ama a vida ama também as suas produções que permanecem durante a eternidade por outros amantes da arte e da vida feita com livres movimentos. No caso do cinema, um cineasta sempre nos deixa as formas que ele gostaria que assistissimos: os planos e movimentos de câmera que ele escolheu, a iluminação e o mundo como ele preferiu ver e imaginar, as histórias e personagens que ele deseja imortalizar dentro do mundo.

No caso do cinema de Manoel de Oliveira ainda podemos comentar sua escolha em sempre filmar a partir da “lingua de Aviz” a visigolatinamente bela língua portuguesa. E este amante da arte cinematogrática em sua vida passou a se dedicar ao cinema como profissão a partir dos 73 anos. Hoje aos 106 anos, ele abre toda sua lente para que toda luz entre e embranqueça o cinema, deixando outros projetos em sem realização.

Porém sua carreira começou em 1928 com uma breve carreira de ator no filme Fátima milagrosa de 1928. Seu segundo trabalho, em 1931 ocorre quando o jovem Manoel de 33 anos de idade filmou seu primeiro cinema, um curta documental chamado Douro, Faina Fluvial, um registro poiético da cidade do Porto vista pelo rio Douro tendo em seus versos homens, máquinas, a natureza em um tempo imensurável.

Deste continuou a vontade de documentar as terras lusitanas a partir de outras óticas com kinopoesias pulsando de seus próximos filmes como a força da água que gera energia (em Hulha Branca), as Estátuas de Lisboa, as Cheias do Tejo, a produção automobilística,a praia das Rosas em Miramar, a vila de Familicão.

Casamento com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais em 1940

Único Casamento com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais em 1940

Seu primeiro longa metragem de 1942 é Aniki-bóbó que retrata a condição social de crianças pobres e aventureiras que enfrentam a dureza do mundo adulto em bairros populares do Porto. Nesta vivência os garotos Eduardo e Carlinhos se apaixonam e brigam pelo amor de uma mesma menina, Teresinha.

Após seu primeiro longa houve uma pausa de 14 anos para que saisse seu trabalho O pintor e a cidade (1956) e se considerarmos seu segundo longa, Acto de Primavera, foram espaçados em 20 anos. De seus 62 cinemas destaque para O passado e o Presente, O convento, Party, A divina comédia, As singularidades de uma loira e seu último trabalho, o curta Chafaris das virtudes. Há ainda diversos trabalhos em filmes coletivos.Renata de Almeida, Manoel de Oliveira e Leon Cakoff Mostra de cinema de São Paulo Portugal Brasil

Sempre com a câmera fixa, Manoel filmou muitas cenas memoráveis ligadas entre elas com símbolos que muitas vezes rompem teatralmente a quarta parede da ficção. Com um carinho enorme pelo Brasil ele visitou o país várias vezes principalmente para participar da Mostra de Cinema de São Paulo do idealizador Leon Cakoff e sua esposa Renata Almeida, que pode ser vistos na imagem acima junto com Manoel (ao centro).

Esta nova condição cardiovascular de Manoel coloca ele numa redoma incomunicável de forma direta com sua pessoa e infelizmente é irreversível. Porém como todo artista continuamos sentido sua força a partir do que ainda comunica conosco, sua arte que traz novas potências nos espectadores de todo o mundo que entram em contato com seu cinema.

Afinal, entramos nos sonhos de natureza, nas sobras das oliveiras, nos portos, festas, e tecemos sempre nossa divina comédia humana que nosso olho muitas vezes não percebe, mas que continua e vai continuar lá, assim como o velho Manel…

manoel color

Memorial da Resistência de São Paulo exibe documentário resistente

Memorial da Resistência de São Paulo
convida
SÁBADOS RESISTENTES
Dia 13 de setembro, das 14h às 17h30
Bacuri, Denise, Encarnación, Eduarda:
a luta de uma família que resistiu à ditadura
 
Exibição do documentário “Repare bem”, de Maria de Medeiros, e debate com a jornalista Vanessa Gonçalves, autora da biografia do guerrilheiro Eduardo Leite, assassinado sob tortura
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Este Sábado Resistente promoverá um debate sobre o documentário “Repare bem”, dirigido por Maria de Medeiros, e o livro-reportagem “Eduardo Leite BACURI”, de Vanessa Gonçalves.
A luta por memória caminha junto às reivindicações por verdade, muitas vezes resultado de múltiplas narrativas. Cruza cinema e livro-reportagem. É o caso da história dos combatentes Eduardo Leite, o Bacuri, e de sua companheira, Denise Crispim, contada por meio da apuração rigorosa de uma repórter e de uma renomada atriz-diretora.
A jornalista Vanessa Gonçalves dedicou mais de dois anos para reconstruir a trajetória do Bacuri. A premiada cineasta portuguesa Maria de Medeiros escolheu contar a história de Denise, de sua mãe, Encarnación, e da filha do casal, Eduarda, cujos exílios das ditaduras brasileira e chilena, nos anos 1970, retratam os anos de chumbo na América do Sul.
Depois de 40 anos vividos entre a Itália e a Holanda, Denise e Eduarda receberam Anistia e Reparação do Estado brasileiro. O valioso testemunho que apresentam em “Repare bem” permite entender o impacto que a ditadura teve na história do Brasil. E na vida dos brasileiros. Já a reparação a Bacuri significa contar sua verdadeira história.
A participação nesta atividade é livre e gratuita, estando sujeita à lotação do Auditório Vitae (160 lugares). Somente serão emitidas declarações de participação aos visitantes que assinarem a lista de presença no dia do evento, e enviarem posteriormente uma mensagem para o e-mail faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br com a solicitação.
PROGRAMAÇÃO
14h – Boas Vindas: Katia Felipini (Memorial da Resistência de São Paulo)
Coordenação: Ana Paula Brito (Núcleo de Preservação da Memória Política)
14h15 – Exibição do documentário Repare bem (2013, 95 min, direção: Maria de Medeiros). Assista à entrevista com a diretora no link https://www.youtube.com/watch?v=qJQUdqJnzI4
16h15 – Mesa-redonda:
Vanessa Gonçalves(jornalista, autora do livro-reportagem “Eduardo Leite BACURI”, 2012, Plena Editorial)
Roberto de Assis Tavares(historiador).
16h45 – Debate
17h30 – Encerramento
Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo, Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.
Informações à imprensa
 
Carla Oliveira – (11) 3324 1007 – coliveira@pinacoteca.org.br
Jamille Menezes – (11) 3339-8243 – jmferreira@sp.gov.br
Natália Inzinna – (11) 3339-8162 – ninzinna@sp.gov.br
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CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DAS NOSSAS ATIVIDADES:
Acesse o site do Memorial da Resistência para ter mais informações. Vêm aí o Encontro para Profissionais de Turismo (26/setembro), o Sábado Resistente “O papel dos cientistas na ditadura” (27/setembro) e a III Feira de Livros da Resistência (04/outubro).
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Festival Internacional de Cinema de Brasília começa hoje

geraldine chaplin cinema 60 70 family Charlie ChaplinA arte cinematográfica rola suas películas a partir de hoje no  Festival Internacional de cinema de Brasília, o BIFF que sacia nossa fome. Com uma vasta programação este tradicional festival traz muitos cinemas e uma homenagem a atriz Geraldine Chaplin (foto acima) que manteve via a veia aberta que jorrava cinema desde a época de seu pai. Charles Chaplin.

Dentre os cinemas da atriz que serão mostrados estão Nashville de Robert Altman, Doutor Jivago de David Lean, Luzes da Ribalta de Charles Chaplin, o recente  “E se vivessemos todos juntos?” dirigido por Stéphane Robelin entre outros.

Na mostra competitiva há 12 concorrentes ao prêmio de melhor filme do festival incluindo o novo cinema de Em busca do sentido da vida de Marco Ferreri; o sueco Os pendedores de Mattias J Skoglund & Markus Marcetic e Karnaval do turco Can Kilcioglu.

Haverá ainda uma sessão infantil recheada de curtas de Charlie Chaplin (O vagabundo, Carlitos bombeiro etc) além de animações como O menino e o mundo da excelente animadora brasileira Alê Abreu e o peruano Rodencia e o dente da princesa de David Bisbano.

Isto sem contar com a mostra panorama mundi que traz 10 surpresas do melhor da produção mundial de cinema. Então embarque neste biff sem colesterol e vamos produzir um cinema.

 

Há 50 anos houve antes e depois de Deus e o Diabo na terra do Sol

Nesta semana a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro divulgou documentos comprobatórios da Aeronáutica de que o cineasta Glauber Rocha, diretor do cinema Deus e o Diaba na terra do sol e  cineasta engajado brasileiro celebre mundialmente, estava marcado para morrer por sua atuação contra a ditadura militar.

Os documentos foram entregues à família de Glauber pela Comissão Estadual da Verdade e fará parte dos relatórios desta Comissão. Glauber Rocha sempre entendeu que cinema é política, não podendo ser colocado fora do plano racional. Por isto cinemas como Claro, Der Leone Have Sept Cabeças, A idade da Terra trazem a força revolucionária da tensão social.

Grupo de estudos sobre ação afirmativa mostra o racismo no cinema nacional

Cinema_raca_generoFonte: http://gemaa.iesp.uerj.br/publicacoes/infografico.html

Cine maquinarte no movimento da comunidade João Paulo

DSC02689O cinema é o movimento que afeta corpos-consciências a partir dos dizeres racionais expressos nas novas formas de imagens projetadas. Quando o cinema encontra o olhar produtivo da criança, as imagens se desterritorializam e criam novas maneiras de ver e sentir o mundo.

Quando este encontro cinemaquinante se dá de maneira coletiva o encontro das crianças entre si e com o cinema fica ainda mais forte. É por isso que o Cinemaquinarte, que começou neste sábado, na Rua Hortelã, do bairro do João Paulo II, Zona Leste, traz a potência cinetransformadora.

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DSC02684E nesta festa do olhar, várias crianças saborearam pelo olhar um clássico do cinema infantil que até hoje traz sua potência afetante: O Balão Vermelho de Albert Lamorisse, cinema que ganhou a palma de ouro de Cannes em 1957.

Este cinema conta a história de um menino cujo grande amigo e companheiro é um balão vermelho que o acompanha a todo lugar. Mesmo sofrendo proibições pelos adultos e perseguições pelos outros garotos, o jovem rapaz e seu balão sempre conseguiam se comunicar e escapar das mãos desviantes.

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DSC02681Este clássico do cinema traz a atuação-produção criançarte de Pascal Lamorisse, filho do diretor e marca cada nova geração com suas cenas simples e humanas. Na cena do encontro dos balões azul e vermelho, podemos ver uma garota que possivelmente é filha (ou parente) do diretor: Sabine Lamorisse.

No andar pelas ruas parisienses o balão revela as cores alegres da infância e a pulsação da vida que é afirmada.

Interessante ver na parede de um dos muros de Paris um poster de um clássico do cinema brasileiro: O cangaceiro de 1953, escrito O Congaçeiro. Hà posters ainda de cinemas como Os orgulhosos de Yves Allégret, Nenhuma mulher vale tanto de Gordon Douglas e O direito de Nascer do espanhol Zacarías Gómez Urquiza.

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E como não poderia faltar este encontro de criacinéfilos terminou com pipoca e suco de goiaba que desbrocou todas as crianças e adultos presentes.

Esta festa continuará. O cinema ocorre sempre aos sábados toda a comunidade do João Paulo II que comporá com sua alegria desejante junto a luz do cinema. Venha respeitado público que a rua se torna palco e o encontro a maquinarte.

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