Poeta, tradutor e filósofo Ivan Junqueira pontua sua produção

O poeta Ivan Junqueira tem uma vasta produção literária e poiética com obras  de poesia como Cinco movimentos (musicada posteriormente), Os mortos, A sagração dos ossos ; além ensaios (O encantador de serpentes etc) e de traduções de obras de T.S. Elliot, William Shakespeare, Marguerite Yourcenar, Jorge Luis Borges, Marcel Proust, além do exímio trabalho  em A flor do mal de Charles Baudelaire.
ivan junqueira poeta ABLCom sua postura de não envolver a poesia, como arte universal, como elemento de crítica social, talvez adotasse o que foi proposto por  Fernando Pessoa onde a função do artista é criar:

“Por isso o artista não tem senão que exercer a sua arte, curando de a exercer tão bem como possa. Todas as outras considerações lhe devem ser alheias: e assim cumpre o princípio da divisão do trabalho social, e cumpre-o tanto melhor quanto menos deixar entrar para a sua arte elementos de preocupação com tudo quanto a não seja. Com a interdependência dessa sua actividade artística com as outras funções sociais ele não tem com que se preocupar, porque isso está fora da esfera de quanto ele possa fazer” (em Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação.)

Porém com uma consciência crítica com sua participação social junto a outros poetas e em defesa da liberdade de expressão e contra a censura, tendo recentemente se posicionado juridicamente contra o “representante” parlamentar Ronaldo Caiado que buscou censurar préviamente uma obra de um outro artista.

Deixamos abaixo alguns poemas deste poietizante:

Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

Punhado de ossos

Na gaiola jaz

o pássaro

sem espaço

Haicai

Que será o poema,
essa estranha trama
de penumbra e flama
que a boca blasfema?

Que será, se há lama
no que escreve a pena
ou lhe aflora à cena
o excesso de um drama?

Que será o poema:
uma voz que clama?
Uma luz que emana?
Ou a dor que algema?

O poema

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