Arquivo mensal: julho 2014

Corte-poético

*ao amor, com amor.

Incrível como as pessoas tornam-se escravas de seus afetos. Dia desses apaixonei-me por uma mulher, perdidamente, a ponto de fantasiar coisas estranhas sobre meu futuro, algo do tipo abrir mão de tudo que consegui construir até hoje para ficar ao lado dessa pessoa. Havia, entretanto, obstáculos, muitos por sinal. A maioria deles fantasiosos, claro, e acho que um deles foi o singelo motivo de ela ser uma puta. Sim, uma puta… garota de programa, profissional do sexo. Enfim, os termos variam de acordo com o grau de neurose alheia. Estranho ouvir isso, especialmente porque somos constantemente condicionados a fragmentar sexo de amor, como se quando praticássemos o coito nosso corpo parasse de produzir afetos que aumentem nossa potência de exitir. Partindo desse ponto de vista, questiono-me se humanidade foi mumificada, sabem? Os corpos se mantêm, mas o movimento, a força, o fluxo, perderam-se no caos que é a incerteza, e, como no antigo Egito, temos a fé de que tudo isso se sustenta apenas utilizando essa técnica. Ledo engano. Conheço, e talvez até desconheça, muitas pessoas que apenas sobrevivem, corpos sem força, movimentos sem sensibilidade, devires impedidos de se lançarem para algum lugar que não sabemos o que é nem o que nos espara lá. Mas aí que está a des(razão). Ali, extamente naquele buraco, que ao mesmo tempo nos amedronta e pelo qual nos deixamos sempre seduzir, talvez esteja o que nos faz vibrar. Uma falta. Um ponto. O desejo. Mesmo nesse eterno vazio preenchido (paradoxal, como a vida costuma ser) que é a existência, ainda precisamos encontrar um lugar no qual algo de/em nós se faça pulsar. Alegro-me, neste caso, em intuir o que o filósofo da vida Nietzsche prospos – amor fati, ou seja, a vida como um grande sim. Devaneando sobre isso, pergunto-me, sempre quando posso, se quero viver esse momento, mesmo ele se repetindo eternamente. Normalmente bato com a fuça na parede, mas continuo tentando. Sim, mas e a puta? Você deve está pensando. Escrevi sobre isso porque sempre que comento minha paixão por ela, além do choque que causo nas pessoas, a maioria delas, movidas por uma ideologia pervesa, cujo recorte (tal qual nos mostra a psicanálise) no corpo do outro traz como contrapartida a cegueira opressora/dominadora, não entende que, da mesma forma que a cientista usa seu cérebro ou a poetisa utiliza seu coração, a garota de programa usa seu corpo (sim, todo ele!) para produzir afetos, conceitos e percepções. Filósofa, poetisa, cientista. Ela costuma ser tudo isso. Vou seguir, por isso, o conselho do filósofo da vida, e continuar amando, loucamente, essa mulher. E se os ressentidos chegarem com um grande porquê, simplesmente direi: Por que não poderia ser outra forma.

(Oluap Sellet)

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Coleção completa dos Discos Marcus Pereira para download

Discos Marcus PereiraMarcus Pereira foi um dos mais importantes selos da música popular brasileira e talvez um dos mais esquecidos atualmente. Da agência de Publicidade Marcus Pereira, ao inesquecível bar “O Jogral”, a idéia de lançar discos começou em 1967 com o lançamento do álbum brinde de Paulo Vanzolini intitulado “Onze Sambas e Uma Capoeira” que possui interpretações sambísticas deste compositor fantástico. Em 68 o Jogral lançou o disco instrumental “Brasil, flauta, cavaquinho e violão” foi  que contou com Manuel Gomes (flauta), Benedito Costa (cavaquinho), Adalto Santos e Geraldo Cunha (violão) e Fritz (pandeiro). Já em 69 foi a vez do Jogral lançar o LP “Renato Teixeira e de Chico Maranhão” que foi seguido de um verdadeiro clássico da música brasileira, a belissima pesquisa de campo “Música Popular do Nordeste” cujo sucesso foi o pontapé para lançamento dos Discos Marcus Pereira.

Marcus Pereira lançou mais de 160 LPs com sua bravura de um cavaleiro solitário que busca um negócio no meio de um deserto. Mas apesar do “lastimável  senso comercial” de Marcus como diria o amigo Vanzolini neste deserto foi plantada uma semente que continua brotando e deixando brotos em toda música popular. Assim como Mário de Andrade, Ariano Suassuna, Sérgio Buarque de Holanda, ele acreditava que deveria levar e elevar a cultura dos brasileiros aos mais altos patamares na contramão da aculturação imposta pela televisão, rádios e toda indústria cultural. Marcus Pereira teve uma gravadora, mas diferente de Mr.Evans e outras gravadoras que usava um pano para não sentir o cheiro do povo que canta, Marcus Pereira buscou sentir, provar, degustar, produzir e compartilhar conosco toda a riqueza.

Marcus Pereira ousou e lançou dezenas de artistas que nunca tinham gravados. Gente como Abel Ferreira, Banda de Pífanos de Caruaru, Canhoto da Paraíba, Carlos Poyares, Cartola, Celso Machado, Chico Maranhão, Clementina de Jesus, Dercio Marques, Elomar, Evandro do Bandolim, Jane Duboc Luperce Miranda, Luis Carlos Paraná, Noel Guarany, Papete, Paulo Vanzolini, Quinteto Armorial, Quinteto Villa-Lobos, Renato Teixeira, Tia Amélia, Velha guarda da Portela, Walter Smetak e muitos outros.

Aqui no maquinarte trazemos a coleção completa do Discos Marcos Pereira em torrent. Havia em alguns outros sítios a coleção praticamente completa graças a blogs amigos como 300, umquetenha, toquemusical, abracadabra ( Bruxa do Vinil) e tantos outros. Porém nosso blog ripou um LP que faltava uma faixa e acrescentamos dois que estavam faltando na lista. Baixe agora clicando nos links: via Magnet link ou via torrent. Em ambos os casos você deve baixar e instalar o Utorrent ou algum programa que baixe o formato.

Salve Marcus Pereira, o amante popular da música brasileira

Salve Marcus Pereira, o amante popular da música brasileira

Atualizações da nova versão

– Inclusão do compacto Folclore Musical Baiano  com pesquisa arranjo e direção de Walter E Tereza Santos

– Inclusão do LP Lulu de Madame de Dilermano Pinheiro. Os arquivos estão na pasta de “Batuque na palhinha” pois trata-se o “Lulu  de madame” deu a base para o outro, porém esta é a gravação original sem o órgão (que abafa o batuque do chapéu de palha) e com violão de Baden Powell.

– Inclusão da música “Outra Vez Outra Paisagem” do LP de Maria José Carrasqueira, Lenice Prioli & Toninho Carrasqueira intitulado “Osvaldo Lacerda – Piano E Flauta, Piano E Canto” que estava ausente na outra versão e que foi ripada pelo maquinarte.

Cinemaquinarte produz um novo encontro

DSC02722Na produção das artes todo encontro é novo e alegre. Em se tratando de uma arte coletivo que é o cinema e ainda por cima comunitário, daí que o encontro produz uma alegria  mobilizadora.

Desta forma o encontro do Cinemaquinarte, na rua Hortelã do Bairro João Paulo II em Manaus produziu novos olhares e percepções através das imagens projetadas que iluminam os olhos das crianças e jovens do bairro e transformam a dinâmica da rua que se torna um cineclube e do muro de uma casa que vira novas imagens, sonhos e histórias.

DSC02717E desta vez os cinemas foram curtas metragens brasileiros que fizeram a noite mais branda. O primeiro deles veio ainda no clima da copa em que o mundo ganhou o Brasil com o curta Ernesto no País do futebol de André Queiroz, Thaís Bologna. O curta traz a história de Ernesto, um garoto argentino que mora no Brasil e que tem que enfrentar grandes desafios na copa do mundo, inclusive a provocação dos colegas.

O segundo curta foi A menina que pescava estrelas dos diretores Alessandra e Beatriz Roscoe, que mostra uma menina que tentava pescar as estrelas para que seus entes queridos que morreram pudessem ressussitar.

O terceiro foi O garoto Barba, premiado curta exibido na Mostra Nacional de CInema de Direitos Humanos e dirigido por Christopher Faust. Na história a criança Felipe nasce com uma doença rara onde desde cedo começa a crescer sua barba. Acostumado com a situação e até vendo alguns benefícios na Barba, Felipe decide manter a barba. Porém sua mãe insiste que ele faça uma sirurgia.

Por fim foi exibido dois episódios da série La linea (A linha) de Osvaldo Cavandoli que foi exibida durante 15 anos na televisão italiana RAI

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 DSC02728Ao termino da projeção conversado com as crianças e votado o melhor horário para continuar o cinema, sendo decidido por voto todos os sábados às 18:30 horas. As mães presentes foram consultadas posteriormente e apoiaram a decisão de não cortar a (re)barba do horário.

Além do senso artístico e das novas formas de ver e sentir o cinema desperta a fome que foi suprida pela distribuição de biscoitos, suco de fruta e pipoca. E neste sábado a produção continua com mais encontros cinemaquinicos.

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Grupo de estudos sobre ação afirmativa mostra o racismo no cinema nacional

Cinema_raca_generoFonte: http://gemaa.iesp.uerj.br/publicacoes/infografico.html

O rock político contra o terrorismo israelense

O rock’n’roll traz em sua produção sonorafectante uma série de elementos tanto de alienação quanto de libertação. Obviamente a música do rock inspirou toda uma geração insatisfeita de jovens com livres espíritos.

Lembremos da histeria provocada pelo rock que libertava as mulheres de seu papel de submissão na tradição falocrática, o metal pesado que rompe a terra com seu fluxo, as letras contestadoras do punk rock como as do The Clash e New Model Army contra o neoliberalismo, a luta socioambiental como do Midnight oil, o Liveaid e o Live8 de Bob Geldof, o rock militante da banda Corazón rebelde que lutou contra o facismo de Pinochet; bandas como Pearl Jam, PJ Harvey, Skinny Puppy e muitas outras em produção contra a política terrorista dos Estados Unidos da América.

Roger Waters and Nick Mason

Nesta linha de produção rocpolítica, o baixista e guitarrista engajado Roger Waters (que pelos anos 80 já politizava com Radio KAOS) junto com o baterista Nick Mason, ambos do Pink Floyd, já vinham mostrando que no mundo do rock se deve meter a voz ativa acima da guitarra e de qualquer instrumento. Em maio eles pedira para os  Rolling Stones e outras bandas de rock não se apresentarem há um mês em Israel devido a questões políticas. Pedido negado e espetacularização garantida.Nesta semana os roqueiros floydianos urgiram para que o roqueiro também politizado Neil também deixassem de tocar em Tel Aviv. O roqueiro atendeu o pedido e cancelou o show sem politizar a questão afirmando que cancelou devido as “tensões que deixaram o clima inseguro” cantará apenas pela paz e doará dinheiro a uma instituição que ensina música para israelenses e palestinos. Mas como haverá paz com a intervenção bélica do maior exercito do mundo que é Israel apoiado pelos Estados Unidos?A banda Britânica Coldplay criou um vídeo em apoio ao povo palestino e afirmou que o sionismo do jeito que se mostra é racismo. Há também um movimento de boicote a Israel e seus produtos pelo genocídio palestino que existe desde a Intifada onde Israel chama de terrorismo atirar pedras, enquanto os seus tanques, mísseis e fuzis derrubam casas, árvores, bloqueiam estradas e fazem a vida. Até Rihanna pediu para que libertem a Palestina.Eddie Vedder politics war palestine freedomEddie Vedder, após se posicionar ao vivo contra a intensiva terrorificante de Israel,  afirmou recentemente que “algum de nós após uma dose matinal de noticias cheias de morte e destruição, sentem a necessidade para alcançar outros  para ver se nós não estamos sozinhos em nossa raiva”.  Krist Novoselic, ex-baixista do Nirvana defendeu as declarações de Vedder.E enquanto o mundo vai sendo dominado pelo ódio e irracionalidade, a função dos que ainda se mostram humanos, inclusive no rock, continuar a imaginar outras formas de

To com João Ubaldo: Chega dessa Calcutá

Homenagem deste blog a este grande escritor, buda ditoso nas horas vagas, que é João Ubaldo Ribeiro. A música que traz o trecho do título é de Aldir Blanc Mendes e Guinga

A irresponsabilidade política, o desejo egoísta de lucrar e a falta d’água no bairro João Paulo II

O tempo passa e a prefeitura, responsável por fiscalizar a empresa distribuidora de água em Manaus, não toma nenhuma providência em relação à falta d’água no bairro João Paulo II. O triste prefeito Artur Neto, em mais um ato de egoísmo e descompromisso, nem sequer apareceu para dar qualquer tipo de satisfação para os moradores do bairro.

Os carros-pipa, de acordo com moradores do bairro, que deveriam levar água minimamente limpa para as pessoas, abastecem as casas com uma água tão suja quanto as atitudes da empresa Manaus Ambiental. Alguns tanques, nos quais se reservam a água, mais parecem reservatórios de barro e lama.

Outo acontecimento corrupto é a cobrança de água por parte de alguns carros-pipa. Muitos moradores do bairro afirmam que precisam pagar pela água de que têm direito. Preços absurdos são cobrados, algo em torno de R$ 80 reais por dia para poder suprir suas necessidades básicas, ou seja, tomar banho, escovar os dentes, lavar roupas, cozinhar os alimentos. Além disso, algumas casas marcadas recebem a água limpa e de graça.

Algumas pessoas, quando tentam ligar para a empresa, recebem a covarde resposta de falar com o líder comunitário do João Paulo II. Outro grande problema, afinal tal sujeito é praticamente um fantasma. Sua ignorância reflete na pouca potência com que age como voz na comunidade. Por fim, o tal de Tabajara, acaba apenas sendo uma marionete daqueles que governam apenas para si mesmos.

A causa de todo esse transtorno foi um acidente na Estação de Tratamento de Água (ETA) Ponta dos Lages, do Programa Água Manaus, no Distrito Industrial. A estação, monitorada pela Manaus Ambiental desde que passou a administrar a distribuição de água na cidade, em 2012, abastece grande parte das zonas norte e leste de Manaus. Infelizmente para a população, esta empresa, cuja intenção é apenas lucrar (in)sanamente, vai continuar à frente disto pelos próximos trinta anos.